Only Jane's...




quarta-feira, 19 de maio de 2010

A despedida é temporária




Faz tempo que eu não escrevia nesse blog...
Parece que minha vida estacionou, que eu parei no tempo, naquele terrível, inesquecível 17 de abril de 2009...
Eu já havia escrito aqui sobre medo de perder pessoas, sobre o dia de amanhã... Sobre a vida que acontece do outro lado...
Preparação? Premonição? Sexto-sentido? Não sei...


Há 15 anos eu perdi minha avó, era a pessoa mais próxima a mim que eu havia perdido...

No ano passado eu perdi meu pai...
Depois desse dia, daquele dia, todos os dias seguintes pareceram ontem...

Foi ontem que o vi pela última vez, que falei, que abracei... Foi ontem...
Todos os dias, ao me deitar, lembro-me dele... O tom da voz, as coisas que dizia, a textura da pele, dos cabelos, o cheiro tão bom que ele tinha, que eu dizia que era cheiro de pai...
Pra você que chegou aqui por acaso, ou por qualquer outro meio e desconhece essa dor, eu digo: Tomara que você JAMAIS sinta essa dor... E eu não a desejo nem mesmo para o meu pior inimigo... Talvez você não possa suportar...
Sou muito grata ao meu pai pela pessoa que eu sou hoje... Tudo o que fiz na minha vida, fiz pensando em jamais envergonha-lo, e posso dizer que consegui...
Nem mesmo a dor que sinto é capaz de suplantar o amor maior que nos une, nos uniu e permanece nos unindo...
O que acabou entre nós foi o contato físico... Tudo o mais continua a acontecer...
Penso na minha vida quando eu tiver os meus filhos, no avô, na pessoa maravilhosa que eles não vão poder conhecer... Nas histórias que vão povoar somente as minhas lembranças e da saudade que eles vão ter de uma pessoa que não conheceram...
Embora o tempo passe, certas coisas ainda permanecem frescas na memória...
A cada tristeza, a cada queda, lembro-me do meu pai e das vezes em que corri para o colo dele e as coisas que ele me dizia... E hoje isso me faz muita falta... Porque ao chegar em casa, o carro continua na garagem, a luz não está mais acesa, e eu não tenho mais ele para me acalentar...
Sempre disse a ele que ele não pertencia a esse mundo... E não pertencia mesmo...
Vi o ser amado deixando o corpo físico e entendi porque Deus o levou... É que Deus o ama mais do que eu e o quer, por algum tempo, no mundo dos Espíritos. Desse dia em diante, espero ansiosa a oportunidade de um reencontro feliz. E por esse motivo, mais acredito e confio em Deus...
Permitiu Deus que te libertasses antes de mim, e eu disso queixo-me por egoísmo, porque preferiria ver-te ainda sujeito às penas e sofrimentos da vida.
Espero, pois, resignado, o momento de nos reunirmos de novo no mundo mais venturoso no qual me precedeste.
Até breve e que Deus te abençoe, pai querido!
A despedida é temporária...