Ele não telefonou...
Ela não telefonou...
A última vez que se falaram, foi por uma troca de mensagem no celular.
Ele foi sutil, ela queria mais...
Ela ficou com raiva, chamou-o de idiota... Ele não respondeu...
Não se falaram mais...
Eles não eram nada um do outro, não sabem se queriam ser...
Os dias passaram.
Pelos fios da internet, se encontraram...
Ela foi fria.
Ele disse que sentiu saudades...
Ela não acreditou...
Ele disse que pensou nela a semana toda, que tinha sentimentos.
Ela quase teve sentimentos. Pensou nele, quis evitar.
Ele quis telefonar, mas teve medo.
Ela esperou que o telefone tocasse, e nada...
As perguntas dela não tinham respostas...
Ele queria que ela desse as respostas...
A conversa na web não teve fim, não teve sentido, não teve despedida, teve (res)sentimento...
Ela não telefonou...
A última vez que se falaram, foi por uma troca de mensagem no celular.
Ele foi sutil, ela queria mais...
Ela ficou com raiva, chamou-o de idiota... Ele não respondeu...
Não se falaram mais...
Eles não eram nada um do outro, não sabem se queriam ser...
Os dias passaram.
Pelos fios da internet, se encontraram...
Ela foi fria.
Ele disse que sentiu saudades...
Ela não acreditou...
Ele disse que pensou nela a semana toda, que tinha sentimentos.
Ela quase teve sentimentos. Pensou nele, quis evitar.
Ele quis telefonar, mas teve medo.
Ela esperou que o telefone tocasse, e nada...
As perguntas dela não tinham respostas...
Ele queria que ela desse as respostas...
A conversa na web não teve fim, não teve sentido, não teve despedida, teve (res)sentimento...
"Por não estarem distraídos - Clarice Lispector
Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que, por admiração, se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles.
Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que, por admiração, se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles.
Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria-peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles.
Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração.
Como eles admiravam estarem juntos!
Até que tudo se transformou em não.
Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles.
Então a grande dança dos erros.
O cerimonial das palavras desacertadas.
Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto.
No entanto ele que estava ali.
Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso.
Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos.
Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham.
Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram.
Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios.
Tudo, tudo por não estarem mais distraídos."