Only Jane's...




segunda-feira, 27 de agosto de 2012

As coisas não são imutáveis...


Esses dias, conversando com uma amiga, ela me falou sobre a importância de deixarmos as coisas bem resolvidas nessa existência, a fim de não carregarmos nada para existências futuras, pois muitos entraves que temos hoje, trazemos de existências passadas... Guardei.
Esse final de semana fui para Guaratuba, costurar alguns remendinhos do meu passado, aquele patchwork belo e colorido que cada um de nós tem guardado em algum lugar...
Minha família sempre foi muito complexa (e qual não é?). Se alguém tivesse um entrevero, era motivo suficiente para romperem-se laços ainda malfeitos entre tios e primos dos mais diversos graus.
Bem, deixe-me tentar amarrar essa história pra que ela não se perca na cronologia temporal.
Passei boa parte de minha infância em Guaratuba, litoral do Paraná, as férias sempre se davam lá. Tia Reny, irmã do meu pai, morava lá e íamos passar a temporada por aquelas bandas. Passado um tempo, tia Reny ficou doente, então, abandonamos as férias em Guaratuba. Em novembro de 2008, ela deixou este plano, em setembro de 2010, o tio Lelo, marido dela, também partiu.

Meu primo, um dos três filhos deles, era alguém que enquanto criança eu admirava muito. Forte, alto, bonito, inteligente... Infelizmente, tornou-se escravo das drogas. Depois que minha tia faleceu, ele tomou o dinheiro do meu tio e castigou-o brutalmente, até que tio Lelo fosse resgatado por outra filha. Meu tio sobreviveu pouco depois desse resgate, 2 meses, creio eu.
Enfim, depois de 3 anos e 9 meses sem voltar a Guaratuba, a última vez que fui lá foi com meu pai, justamente para a partida da tia Reny, retornei para revisitar o passado, os lugares pelos quais passei, que marcaram a minha infância...
A casa que era da tia Reny, não é mais dela, foi vendida pelo meu primo (aquele) no mercado negro, especula-se que em troca de dívidas com traficantes. E visualmente, a casa não lembra em nada o que foi um dia...
O bairro cresceu, está muito diferente do que fora há 3 anos...
Demorei pra achar a casa da tia Reny, pois como citei, tudo estava muito diferente, e a minha memória deixa escapar algumas coisas, me trai às vezes...
Tudo mudou. O lugar, as pessoas e os parentes que já não moram mais lá, nem mesmo neste plano.
Meu primo? Há boatos de que ele morreu, que virou andarilho, mas nada confirmado...
As pessoas e as coisas se perdem no caminho... Nada é imutável...
Conversei com pessoas, fiz amigos e vi o passado voltar em doses homeopáticas e bem felizes... E uma saudade imensa de tudo o que já foi um dia...
Voltei pra Curitiba com a sensação de que o passado ficou exatamente onde deveria ficar... Que se por algum motivo eu não fiz algo que deveria ter sido feito, foi porque eu era criança demais na época para fazê-lo. Que absolutamente nada foi culpa minha, nenhuma parcela, nem mesmo o afastamento... Que os “culpados” (pai e tios), já não estão mais aqui e não devem ser julgados por isso.
Fui sim atrás do meu primo. Queria revê-lo. Queria entender o que fez aquele cara bonito, forte e inteligente que eu admirava na infância, desmoronar. Lá no fundo tinha a expectativa de encontrá-lo, mesmo sabendo que poderia não ser reconhecida e nem mesmo ser bem recebida...
Não sei onde ele está, se os boatos a respeito dele procederem, peço ao Criador que tenha compaixão dele.
Tentei, fiz a minha parte e voltei a Curitiba com a certeza de que aquilo que depende de mim, sempre pode ser melhorado. Se havia algum retalho ou descostura no meu passado, costurei, alinhavei e deixei coloridinho...
Só faltou a visita ao cemitério, pra deixar uma flor pra tia Reny e pro tio Lelinho, mas acho que a homenagem mais bonita eu faço a eles quando falo deles com esse carinho e quando me lembro dos bons momentos vividos na infância...
A homenagem mais linda se desenhou na minha mente, quando cheguei na frente da casa que era deles e pude redesenhar na memória como aquele lugar era um dia, com suas flores, com sua alegria ímpar...
As coisas não são imutáveis, nenhuma delas...
Talvez seja bom!
Não me acerte
Não me cerque
Me dê absolvição
Faça luz onde há involução
Escolha os versos para ser meu bem e não ser meu mal
Reabilite o meu coração
As palavras - Vanessa da Mata