Oi titia.
Começo esse post da maneira que
iniciava as nossas conversas. Você que me leu por tanto tempo por aqui, veja
só, hoje é o assunto...
Em dias como hoje, é bem difícil
acreditar que você partiu...
Releio as nossas conversas no
Facebook, no Whats... E ainda assim é difícil acreditar que ficou o silêncio,
que ficaram as coisas que eu ainda não te contei... E as que eu ainda não vivi
pra te contar...
E como se você estivesse aqui, e
as nossas intermináveis conversas diárias no telefone (lembra que eu tinha
telefone fixo só pra falar com você?), vou tentando enganar a saudade e te
atualizar, aí, no outro plano...
Quando você partiu, fui buscar a
Lucélia para o nosso último encontro, e mesmo sem saber, você proporcionou a
tarde mais fantástica dos últimos tempos. Paulinho, Bia, a mãe da Bia e as
crianças passaram a tarde conosco. Tia, aquelas crianças são os melhores seres
humanos que eu conheci! Que orgulho ver a família que o Paulinho formou! Um pai
exemplar, a Bia, uma mulher sem igual, conta aí pro meu pai, ele vai amar
saber! Ele gostava muito do Paulinho.
Foi maravilhoso, em meio a dor, estar com
essas pessoas tão especiais. Sem pretender, ou pretendendo (vá saber), você fez
acontecer o encontro mais improvável, e eu te agradeço por isso, pelo carinho
que fez na minha alma.
Mas, chegando em casa, eu disse para o João: “Preciso ligar pra tia pra contar que...”
É, esqueci que você havia partido
e que tudo isso só aconteceu porque fomos nos despedir de você...
Assim como esqueci nos dias que
seguiram e dizia: “Não posso chegar
tarde, tenho que ligar pra tia”, ou então: “Hoje tem evento de cliente, deixa eu ligar pra tia de lá mesmo, só pra
ela não se preocupar”...
Esses dias, recebemos o Josué lá
em casa. Que alegria! Ele foi pra pegar aquele cristal, que estava na sua
estante, e que você disse MILHÕES de
vezes que você gostaria que estivesse com ele, porque era do João Leonardo, que
deu pra Edilma e que pediu que você guardasse. Agora está com o Josué! Missão
cumprida.
Ontem eu te liguei, uma vontade
absurda de ouvir a tua voz... E ouvi a gravação que dizia: Esse número não
existe. O nó tá aqui na garganta ainda, difícil de digerir... Não ouvi o “fala, garota!”, ou então “Como está a minha pentelhinha?”
Os dias têm passado rápido
demais. Talvez pra minimizar a angústia e a ausência da tua presença...
Esses dias eu me queimei na
grelha do forno, nossa, como doeu... E em um lapso de memória, desses em que o
nosso cérebro bloqueia a informação e divide os momentos por cortinas tênues,
eu peguei o telefone pra te ligar e perguntar o que era bom para queimadura...
Lembrei que você não estava mais aqui, e a queimadura pareceu doer ainda
mais...
Fiquei com algumas coisas suas,
porque parece que você sabia mesmo do que eu precisava...
Já usei aquela forma de
bolo redonda com furo no meio. Lembra que eu te dizia que quando eu fazia bolo
usava a forma de pudim? Definitivamente, eu não gosto das quadradas...
Ah, por falar em pudim, sua
danadinha... Acho que você “soprou” no ouvido de quem separou as coisas pra
mim. Fiquei com a sua panela especial de banho-maria para pudim e estreei-a na
semana passada. Lembro de você dizendo: “Jana,
quando eu achar outra panela igual a essa pra vender, eu vou comprar pra você,
porque a minha eu tenho faz mais de 20 anos, e já tá feinha”. Não importa,
tia! A sua vale bem mais do que uma nova, e tenha certeza, vou usar muitas vezes...
A panela
de vidro eu ainda não usei, tá faltando oportunidade...
Os joguinhos americanos estão na
nossa mesa de café da manhã e usamos todos os dias, lembrando sempre de você.
Não há quem visite a nossa casa e não mencione o quanto eles são lindos.
Obrigada, de novo!
A dançarina trazida da Espanha, aquela que eu te dei, de vestido azul, que estava ali no seu quarto, eu dei para a Hilda. Lembro do quanto você gostava daquela bonequinha espanhola, dada com muito amor, especialmente pra você! Sei que com a prima estará bem cuidada...
Você não está nessas coisas,
embora todas elas me lembrem você, me lembrem o sabor da sua comida, o seu
capricho, a sua existência.
Ah, e por falar em capricho, eu
fiquei com aquele porta-joias que você fez, com a foto da família toda na
tampa, e com o meu pai no colo da vó Maria. A foto é de 1951, em Teixeira
Soares, acredito eu. A joia maior eu guardo no meu coração, em ter você, a vó Maria
e o meu paizinho amado nessa existência terrena.
E por falar em vocês três, como
terá sido o reencontro nessa estação entre vocês e os demais? Será que já deu
tempo de colocarem o papo em dia? Será que tem gente que já está aqui de novo?
Quando será que vocês voltam?
Voltam?
Ah, e tem mais... Veja você, a
Janine está cheia de novidades... Em breve ela te conta! Ela me deu o Sammy!
Tia, pensa num bichinho sem vergonha, com espírito de gato, que se esfrega nas
nossas pernas, e que não pode ver um cotovelo que logo quer morder? Hahaha. Ele
é pura alegria! Pureza e alegria...
Tia, certeza que foi coisa tua,
certeza! Porque na tua casa, naquele dia, em que eu fui almoçar lá, você disse
pra ela me mostrar as fotos dele... Então, acho que você já sabia, você sempre
sabia de tudo...
O Sammy não foi bem aceito pelo
Whisky, que agora está começando a se acostumar com a presença dele, embora
ainda seja meio ranzinza... Coisas da idade, né? Ciúmes...
Os dois estão sendo adestrados...
O Sammy está reagindo muito bem às aulas, mas ainda falta dar a patinha,
rsrsrs. Logo ele aprende, ele é jovem.
Eu repassei ao João o seu recado,
e disse que você queria vê-lo. Ele ficou muito triste por não ter te visto e
ficou surpreso com as coisas que você pediu pra dizer a ele... Obrigada, mais uma vez!
O Wagner chorou quando ficou
sabendo da sua partida. Ele estava longe pra poder comparecer à sua despedida.
Dias depois, foi o aniversário dele. Então, mesmo em meio a nossa dor, ele fez
questão de ir nos visitar e fizemos uma festinha surpresa pra ele. Ali
celebramos a vida dele, a sua vida, a nossa vida e a nossa amizade... Porque
são as lembranças que ficam, pra todos nós. E é isso que vai ficar pra sempre.
Se a saudade é uma dor que fere nos dois mundos, existem as lembranças para
atenuar a dor e resgatar dos cantos da nossa alma e memória o quanto fomos
todos felizes (juntos ou não, cada um a sua maneira) porque você existiu e fez
parte da nossa vida em algum momento, por mais rápido e curto que isso possa
ter sido...
Por enquanto é isso. Sigo daqui
com as minhas obrigações. Já tomei muito o seu tempo. Siga daí na sua jornada
espiritual, nesse outro plano. Espero poder revê-la quando eu chegar aí, ou
então que você volte e que eu possa reconhecê-la de alguma forma...
Saudade é uma dor que grita
dentro... Nunca mais dói demais!
Fique bem, fico por aqui também!
Te amo, saudades, dona Ivone!
