Only Jane's...




terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Para minha tia, Ivone...

Oi titia.

Começo esse post da maneira que iniciava as nossas conversas. Você que me leu por tanto tempo por aqui, veja só, hoje é o assunto...



Em dias como hoje, é bem difícil acreditar que você partiu...

Releio as nossas conversas no Facebook, no Whats... E ainda assim é difícil acreditar que ficou o silêncio, que ficaram as coisas que eu ainda não te contei... E as que eu ainda não vivi pra te contar...

E como se você estivesse aqui, e as nossas intermináveis conversas diárias no telefone (lembra que eu tinha telefone fixo só pra falar com você?), vou tentando enganar a saudade e te atualizar, aí, no outro plano...

Quando você partiu, fui buscar a Lucélia para o nosso último encontro, e mesmo sem saber, você proporcionou a tarde mais fantástica dos últimos tempos. Paulinho, Bia, a mãe da Bia e as crianças passaram a tarde conosco. Tia, aquelas crianças são os melhores seres humanos que eu conheci! Que orgulho ver a família que o Paulinho formou! Um pai exemplar, a Bia, uma mulher sem igual, conta aí pro meu pai, ele vai amar saber! Ele gostava muito do Paulinho. 

Foi maravilhoso, em meio a dor, estar com essas pessoas tão especiais. Sem pretender, ou pretendendo (vá saber), você fez acontecer o encontro mais improvável, e eu te agradeço por isso, pelo carinho que fez na minha alma. 

Mas, chegando em casa, eu disse para o João: “Preciso ligar pra tia pra contar que...”

É, esqueci que você havia partido e que tudo isso só aconteceu porque fomos nos despedir de você...

Assim como esqueci nos dias que seguiram e dizia: “Não posso chegar tarde, tenho que ligar pra tia”, ou então: “Hoje tem evento de cliente, deixa eu ligar pra tia de lá mesmo, só pra ela não se preocupar”...

Esses dias, recebemos o Josué lá em casa. Que alegria! Ele foi pra pegar aquele cristal, que estava na sua estante, e que você disse MILHÕES de vezes que você gostaria que estivesse com ele, porque era do João Leonardo, que deu pra Edilma e que pediu que você guardasse. Agora está com o Josué! Missão cumprida.

Ontem eu te liguei, uma vontade absurda de ouvir a tua voz... E ouvi a gravação que dizia: Esse número não existe. O nó tá aqui na garganta ainda, difícil de digerir... Não ouvi o “fala, garota!”, ou então “Como está a minha pentelhinha?”

Os dias têm passado rápido demais. Talvez pra minimizar a angústia e a ausência da tua presença...

Esses dias eu me queimei na grelha do forno, nossa, como doeu... E em um lapso de memória, desses em que o nosso cérebro bloqueia a informação e divide os momentos por cortinas tênues, eu peguei o telefone pra te ligar e perguntar o que era bom para queimadura... Lembrei que você não estava mais aqui, e a queimadura pareceu doer ainda mais...

Fiquei com algumas coisas suas, porque parece que você sabia mesmo do que eu precisava...

Já usei aquela forma de bolo redonda com furo no meio. Lembra que eu te dizia que quando eu fazia bolo usava a forma de pudim? Definitivamente, eu não gosto das quadradas...

Ah, por falar em pudim, sua danadinha... Acho que você “soprou” no ouvido de quem separou as coisas pra mim. Fiquei com a sua panela especial de banho-maria para pudim e estreei-a na semana passada. Lembro de você dizendo: “Jana, quando eu achar outra panela igual a essa pra vender, eu vou comprar pra você, porque a minha eu tenho faz mais de 20 anos, e já tá feinha”. Não importa, tia! A sua vale bem mais do que uma nova, e tenha certeza, vou usar muitas vezes... 

A panela de vidro eu ainda não usei, tá faltando oportunidade...

Os joguinhos americanos estão na nossa mesa de café da manhã e usamos todos os dias, lembrando sempre de você. Não há quem visite a nossa casa e não mencione o quanto eles são lindos. Obrigada, de novo!

A dançarina trazida da Espanha, aquela que eu te dei, de vestido azul, que estava ali no seu quarto, eu dei para a Hilda. Lembro do quanto você gostava daquela bonequinha espanhola, dada com muito amor, especialmente pra você! Sei que com a prima estará bem cuidada...

Você não está nessas coisas, embora todas elas me lembrem você, me lembrem o sabor da sua comida, o seu capricho, a sua existência.

Ah, e por falar em capricho, eu fiquei com aquele porta-joias que você fez, com a foto da família toda na tampa, e com o meu pai no colo da vó Maria. A foto é de 1951, em Teixeira Soares, acredito eu. A joia maior eu guardo no meu coração, em ter você, a vó Maria e o meu paizinho amado nessa existência terrena.

E por falar em vocês três, como terá sido o reencontro nessa estação entre vocês e os demais? Será que já deu tempo de colocarem o papo em dia? Será que tem gente que já está aqui de novo? Quando será que vocês voltam? 
Voltam?

Ah, e tem mais... Veja você, a Janine está cheia de novidades... Em breve ela te conta! Ela me deu o Sammy! Tia, pensa num bichinho sem vergonha, com espírito de gato, que se esfrega nas nossas pernas, e que não pode ver um cotovelo que logo quer morder? Hahaha. Ele é pura alegria! Pureza e alegria...

Tia, certeza que foi coisa tua, certeza! Porque na tua casa, naquele dia, em que eu fui almoçar lá, você disse pra ela me mostrar as fotos dele... Então, acho que você já sabia, você sempre sabia de tudo...

O Sammy não foi bem aceito pelo Whisky, que agora está começando a se acostumar com a presença dele, embora ainda seja meio ranzinza... Coisas da idade, né? Ciúmes...

Os dois estão sendo adestrados... O Sammy está reagindo muito bem às aulas, mas ainda falta dar a patinha, rsrsrs. Logo ele aprende, ele é jovem.

Eu repassei ao João o seu recado, e disse que você queria vê-lo. Ele ficou muito triste por não ter te visto e ficou surpreso com as coisas que você pediu pra dizer a ele... Obrigada, mais uma vez!

O Wagner chorou quando ficou sabendo da sua partida. Ele estava longe pra poder comparecer à sua despedida. Dias depois, foi o aniversário dele. Então, mesmo em meio a nossa dor, ele fez questão de ir nos visitar e fizemos uma festinha surpresa pra ele. Ali celebramos a vida dele, a sua vida, a nossa vida e a nossa amizade... Porque são as lembranças que ficam, pra todos nós. E é isso que vai ficar pra sempre. 

Se a saudade é uma dor que fere nos dois mundos, existem as lembranças para atenuar a dor e resgatar dos cantos da nossa alma e memória o quanto fomos todos felizes (juntos ou não, cada um a sua maneira) porque você existiu e fez parte da nossa vida em algum momento, por mais rápido e curto que isso possa ter sido...

Por enquanto é isso. Sigo daqui com as minhas obrigações. Já tomei muito o seu tempo. Siga daí na sua jornada espiritual, nesse outro plano. Espero poder revê-la quando eu chegar aí, ou então que você volte e que eu possa reconhecê-la de alguma forma...

Saudade é uma dor que grita dentro... Nunca mais dói demais!

Fique bem, fico por aqui também!


Te amo, saudades, dona Ivone!