Only Jane's...




quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Sem chorar...



Lembro-me das coisas, ainda frescas na memória, como quando a gente pode sentir um cheiro que ficou no passado...
Lembro da cor e da textura dos fios de cabelo... Lembro da voz, os pigarros... O jeito firme de falar...
Lembro...
Lembro de tanta coisa...
O nó na garganta...
Mas, como ele dizia: não precisa chorar...
A dor da lembrança, hoje tornou-se saudade permanente...
Todos os dias são dias da saudade, desde aquele dia...
Dói, dói muito não tê-lo para dividir aquela conquista ou aquele fracasso...
Dói falar e não ouvir a resposta... A casa vazia faz eco...
Dói...
Dói a falta do abraço, dos conselhos, do cheiro, da voz...
Dói...
Perdi muito mais do que um pai...
Perdi um amigo, um irmão, um confidente, um amor...
Perdi o rumo, perdi a linha, perdi a coragem, perdi a graça, o ritmo, o passo, a piada...
Ganhei saudade, lembranças presentes no dia a dia, sonhos frequentes, companhia ausente, ausência da presença, presença da ausência...
Daria a minha vida no lugar da vida dele...
Ainda não aceitei a partida... Entendo que ele se foi, mas não aceito, porque uma coisa não implica na outra...
Ele se foi...
Levou meus fins de semana, meu Sol, meus sorrisos, minha amizade, minha confiança, meu amor...
Deixou apenas a casa vazia, uma saudade gigante, que aumenta com o passar dos dias...
Sei que a gente vai se encontrar, que ele me espera em algum lugar... Que foi na frente, me precedendo, porque assim como me esperou quando eu cheguei nesse mundo, foi me esperar no lado de lá...
E quando esse dia chegar... Ah! Quando esse dia chegar...
Terei novamente o Sol, os sorrisos, a amizade, a confiança, o amor desinteressado...
Quando esse dia chegar, terei meu paizinho de volta...
Não desejo essa dor pra ninguém, porque ela é insuportável, dilacerante, lancinante, mata-me diariamente...
Mas, conforta-me saber que ele está bem, em um lugar melhor que este...
Confortam-me as visitas que me faz em sonho...
Nossa ligação permanece, e assim será, assim tem sido há muitas vidas...
Mas, não precisa chorar...
A gente ainda vai se ver... E eu espero que quando esse dia chegar, eu consiga pronunciar novamente a palavra pai...

“Pai...
Quando a morte leva o pai da gente, rouba essa palavra pra sempre...”