Only Jane's...




quinta-feira, 17 de abril de 2014

Cinco

♩♫ Sometimes everything is wrong...


Cinco são os dedos de uma mão...
Cinco são os anos que me separam do meu pai...
No dia 17 de abril de 2009, o céu ganhou mais uma estrela, a mais brilhante: Meu pai!

♩♫ Não, não sei se é um truque banal
Se um invisível cordão
Sustenta a vida real

Qual, não sei se é nova ilusão
Se após o salto mortal
Existe outra encarnação ♩♫


Demorei a entender e a aceitar a perda mais dolorosa que já tive, embora soubesse que nada do que eu fizesse prolongaria os dias do meu pai aqui... Por que ele? Por que eu? Essas perguntas gritavam na minha cabeça...
Fui tomada por uma sensação de abandono. Por vezes, o desespero pela ausência dele me invade, e eu tenho vontade de sair pela rua, feito louca, tentando encontrá-lo.

Passado o baque inicial, a vida começa voltar ao “normal”. E o que percebi, assim que voltei ao trabalho (mesmo sendo recebida com um imenso carinho por todos), é que o meu sofrimento não me tornava especial. Eu não era a coitadinha que perdeu o pai tão jovem. Eu era apenas mais uma pessoa, como tantas outras, que deixavam de ter o pai nas fotos de família, nos grandes acontecimentos da vida... 
O mundo não se importa se meu pai morreu, de quê, ou onde está sepultado. Existe o mundo, existo eu, existe o meu pai. Existe um passado, existe o meu futuro, existe uma lembrança e uma saudade que se acentua com o passar dos dias...

Foi quando entendi que eu deveria usar aquele sofrimento para aprender alguma coisa. Essa seria a forma de agradecer ao meu pai pelo que ele fez para que eu fosse a pessoa que eu sou hoje, aprender com os seus erros e tentar consertar os meus. Minha vida teria que continuar, e eu teria que usar o exemplo dado pelo meu pai para seguir adiante.
Foi por causa desse sofrimento que eu aprendi a viver um dia de cada vez. Me tornei um tanto amarga, tal como a fruta que passou do ponto, tal como o café sem açúcar. Senti a força da expressão "nó na garganta". Tornei-me ainda mais desapegada do que sempre fui.

Aprendi que planos de médio e longo prazo são importantes, mas eles podem ser engolidos por uma fatalidade da vida em um piscar de olhos de uma manhã de sexta-feira, como aquela em 17 de abril de 2009.
Aprendi a aproveitar melhor as coisas simples e maravilhosas da vida como uma lua brilhante ou um pôr do Sol no mar.

Aprendi que aqueles que amamos podem partir sem se despedir, mas em vez de sofrer pensando no dia que eles se forem, devemos aproveitar enquanto eles estão por perto. Aprendi que nunca mais dói demais e que saudade é um silêncio que grita dentro e ensurdece.
Aprendi a cuidar da minha saúde e a não me estressar pelo que está fora do meu controle. Sobretudo, aprendi a não tolerar certas coisas.

Aprendi que para tudo na vida existe um jeito, mesmo que não seja o jeito que queremos.
Entendi que o tempo do meu pai aqui havia acabado, e que ele aproveitou a sua passagem por aqui da melhor maneira possível, e deixou frutos que o fazem ser lembrado nas rodas de conversa, nas visitas que faço aos seus amigos, na arte, nos quadros que pintou...

E, mais do que isso, sei que o que acabou entre nós foi apenas o contato físico, porque ele vem me visitar e eu posso sentir a sua presença.

Hoje, o meu post é um agradecimento pelo pai magnífico que eu tive e tenho. Pela ligação que vem de outras vidas e pelo encontro que certamente teremos. Cada dia, um dia a menos!

Pai, tenho certeza de que quando eu olho para o céu, consigo te ver.
A você, todo o meu respeito, a minha admiração e a minha saudade.
Fica bem aí, paizinho... Eu continuo tocando daqui, tentando disfarçar a saudade.
Um dia a gente se vê de novo... E eu sigo te vendo quando olho pro céu...

♩♫ Onde você estiver, não se esqueça de mim. 

Aproveite cada segundo que você tem, porque eles nunca serão apagados da sua memória... (DJF - meu pai)